29 de Dezembro de 2011

2011, foi tão mau para vocês como foi para mim?! Venha um novo!


Mais uma virada de ano e um sentimento profundo de ‘desesperança’, de ausência absoluta da inocência infantil da crença de que um novo ano será melhor, trará coisas auspiciosas e positivas e de que tudo mudará com um simples avançar de ponteiro das 23h59 do dia 21-12 para as 0h00 do dia 01-01. Como se possível fosse que um simples Click, ou tique, ou badalada ou o que seja que marque esta diferença enorme e singular fracção de 60 segundos.
Mas, se o ano que acaba tiver sido tão mau para vocês como foi para mim, acredito que mesmo com as previsões que nos colocam, com o desânimo e desincentivo geral que se faz sentir, com marcas internacionais a assumirem o papel dos demagogos do costume e a fazerem anúncios que mais parecem campanhas eleitorais, com práticas e costumes que se impõem cada vez quando não deveriam sequer existir quanto mais reinar; mesmo assim é urgente para mim pensar que efectivamente será um salto gigante este que se fará daqui a 2 dias.
Porque pensar neste ano que acaba é pensar num ano de coisas más, de descaminhos e retrocessos, de perda e de descobertas indesejáveis, de falta de certezas e de capacidade de resolução. Um ano de preocupações e angústias, de sustos e desentendimentos, de nervoso miudinho e de falta de oportunidades. O ano da assunção geral de dificuldades, da queda do preconceito de assumir-se a carência social que se instala e prevalece nas conversas de café, de amigos, nos transportes. No ano em que a palavra que mais se leu ou escreveu foi Crise penso numa crise que vai além da económica e na evidência de que este paradigma socioeconómico (globalizado) chamado capitalismo morreu, morreu lentamente sem que os seus herdeiros o aceitassem mostrando-se incapazes de assumir a sua responsabilidade pelo estado débil e quase decrépito. Qual faraó, embalsemaram-no e seguiram vivendo na ilusão de que não tinham visto ou percebido o quão débil e fragmentada era a sua essência, o quanto descriminava os seus filhos e herdeiros numa lógica incompreensível, cega e surda a quaisquer valores, padrões ou normas que não as suas. E agora andamos a marinar num vazio de marinada azeda.
Muito nos manifestámos por todo o mundo, muito nos indignámos e expressámos as nossas dores de alma, muito prometemos quando levantámos o punho garantindo lutar até ao fim, mas e a esperança?

A mim falta-me a esperança, falta-me o pensar na música do J. Palma (enquanto houver estrada para andar) e acreditar e que ele tem razão, falta-me a minha força que se alimenta de esperança mais do que de bifes ou vegetais. Faltam as perspectivas de planos seguintes ao A até um número limitado mas simpático de possíveis 25 planos extra. Faltam as oportunidades, mesmo para quem não baixa os braços, faltam atitudes honestas e de carácter, faltam pessoas desinteressadas e sinceras, falta cooperativismo e solidariedade. Faltam sorrisos felizes e despreocupados, faltam sonhos e a capacidade de acreditar em sonhos ‘impossíveis’, faltam atitudes inconscientes mas felizes, falta coragem de dar o salto porque são mais abismos que dunas!
Mas até há coerência nesta carência de valores. Tudo faliu neste modelo que nos toldou as pernas, certamente porque na origem da sua debilidade estariam valores e princípios com defeito de fabrico que, sendo maus, se instalaram como um vicio que se alarga até se tornar numa praga social. 
O que mais desejo para o novo ano é esperança, capacidade de luta e de decisão e um novo rumo.
Um novo rumo para tudo e todos, que este que temos vindo a tomar não tem corrido bem a (quase) ninguém!  
 

Beijos queijos, sorrisos e desejos de um banho de esperança;
Daqui e de Acolá

3 de Maio de 2011

Espertina Tóxica

A esta hora não se ouve por aqui mais nada senão os meus pensamentos, tantos e com tanta necessidade de atenção que me roubam o sonos e os sonhos que poderia estar a ter.

Dispersos, divergentes, uns mais coerentes que outros, confundem-me a capacidade de adormecer e dão-me uma espertina quase tóxica. Viro e volto a virar, destapo e volto a tapar, exercito a mente com pseudo técnicas de relaxamento e cá estou eu a teclar longe da cama e do sono que me apetecia ter.
Na confusão entre vontade de dormir e espertina tóxica, emergem estranhas vontades e quereres que raras vezes sobrevivem à manhã pós-noite de insónia, às vezes no 'calor' da dita parecem geniais e outras geniosas, poucas são as que sobrevivem e ficam para contar a sua história na manhã seguinte.

No calor da insónia gritam e agridem-se os agentes deste meu estado, sedentos de protagonismo e atenção qual gladiadores romanos digladiam-se na tentativa uns de captar a minha atenção mais do que outros e no final ganham todos o seu lugar de protagonismo, ou não estivesse eu aqui agora a tentar chegar a eles e a mim, sem exposições excessivas nem análises do meu eu e dos outros, ou mesmo de quem são efectivamente os 'gladiadores' que me motivam a teclar quando todos dormem.
Esmiuçá-los aqui talvez servisse apenas para alimentar outras vontades de saber que não a minha; a minha de saber porque se reúnem todos em comício e contra o meu sono, (que também tem os seus direitos), e gritam pela minha atenção sem quaisquer outras consequências além da espertina, porque com eles parece não ser possível qualquer tipo de acção conciliadora e que pacifique os meus horários com a sua necessidade de atenção. Desta óbvia necessidade de diálogo nasce uma relação autista que se consome, e que não consegue resolver-se com tentativas de compreensão pela análise ou diálogo entre nós, eu e estes gladiadores persistentes e de horários tardios com dificuldades de comunicação e de entendimento, e sem qualquer interesse em acordos de paz ou negociações com vista a pacificação destas batalhas entre mim, o meu sono e eles.
E invariavelmente ganham eles e uns quantos maus programam que o cabo vai passando por estas horas.

Mas hoje não, desta paragem sigo para uma outra logo aqui à frente onde um certo Larry me espera de navalha afiada por um fio (!), para 'juntos' continuarmos a buscar um sentido para a nossa existência, não querendo apenas deter esse conhecimento, mas senti-lo no mais fundo de nós. De tão distante que é a nossa realidade, e diferentes que são os nossos inimigos gladiadores, encontramo-nos nas páginas amarelas de um livro intemporal, (o meu de letras miúdas e muito juntas), que nos juntam num temperamento comum e inconformado, insaciável e que nos leva a questionar sem perdão ou interregno os propósitos que nos apresentam as nossas existências
Distanciam-nos anos anos de entendimento humano, mas este Larry consegue viver com um desprendimento muito mais feliz, o profundo, o profundo desprezo que nutre por muitas das convenções e 'necessidades' existenciais e sociais que a vida nos coloca e, por isso e pelo que hipoteticamente nos une, que esta madrugada confiarei a ele os anseios e angústias tóxicos da minha insónia.


Beijos, queijos e sorrisos
Daqui e de acolá & Larry como companhia

2 de Março de 2011

Nadam ou esperam que a maré passe?

Se cá nevasse fazia-se cá sky, e enquanto nevar não acontece, pelo menos não por cá, nadamos contra uma maré negra mas sem crude, cheia de substâncias tóxicas e pestilentas e que insistem em tentar atrapalhar os movimentos que nos seguram e impedem que nos afoguemos de vez. Nadamos e percebemos a imensidão de estilos praticados por nós e pelos nossos pares, e vemos que há quem prefira um estilo mais sofisticado e complexo, outros com um estilo mais destemido e arrojado, aqueles que seguindo em frente o fazem de costas, e ainda outros que de forma singular e original, (mesmo que questionavelmente original), nadam ou aparentemente parecem fazê-lo, porque de alguma forma se deslocam e à sua forma, nadam.


Eu pelo menos nado, nado para não me afogar, nado porque nadar me dá a noção de integrar um todo que concretiza uma vontade e iniciativa próprias, nado porque me motiva no espaço do meu ‘eu pessoal’ mas igualmente no espaço do meu eu social. Nado porque sei nadar, porque tenho essa faculdade, porque seria uma cobardia preguiçosa mandriona e oportunista a opção de deixar que a maré me levasse, na expectativa fantasiada de chegar bem a bom porto. Ao nadar acredito que intervenho, que participo, que reajo, que me preparo para o melhor, porque para o pior estou preparada desde que não pare de nadar.


Nado porque nadar me faz feliz, me põem em contacto com o meio ao qual pertenço e que é também minha pertença, que me transforma mas que também está disponível a que eu faça o mesmo consigo e o transforme à medida das minhas braçadas e do estilo da minha natação, e nado, porque ao nadar transformo o tempo a meu favor e aproveito para sonhar na medida necessária dos meus sonhos cada vez mais reais e menos fantasiosos.

Nado porque acredito que ao nadar agora com mais afinco e determinação o poderei fazer depois, quando esta maré de rápidos tóxicos e traiçoeiros passar, de uma forma mais serena e aprazível, mas sempre com e pelo prazer de nadar. Nado e volto a nadar, e depois de cada dia de nado e de braçadas, que nuns dias pesam mais que noutros, sinto sempre que ao nadar fiz o melhor, e mesmo que ao ligar a TV me perceba que andamos uns a nadar mais que outros, e que as braçadas de alguns de nós são efectivamente mais pesadas e duras que as de outros, que dificilmente sentirei que um qualquer TGV nada numa maré em que eu nade também, ou que as partes privilegiadas e continuamente favorecidas de um sistema invariavelmente machado de crude possam ter sentido esta maré negra como os peixinhos que como nós, nado.

Nado porque sei que tal como estes pequenos peixinhos considerados parasitas e dependentes dos grandes seres dos mares, mas que lhes que tratam as feridas e limpam as porcarias que os impedem de serem sãos e supremos na sua grandeza física incontornável, somos nós, exímios ou desenrascados nadadores, que vamos ‘colando a cuspo’ as rachas dos nossos gigantes, alimentando a sua voracidade mordaz e tratando as suas feridas profundas, que são tão físicas como emocionais e estruturais.

Nado, porque antes destes gigantes dos mares existiram outros, no mar ou em terra, cuja grandeza não transpôs a capacidade adaptativa de outros que, mais pequenos se revelaram mais capazes e mais lutadores, mais persistentes e, nalguns casos, mais altruístas e cooperantes com outras espécies e com o meio, tiveram êxito, e são um exemplo uma referência e um modelo.

E vocês? Nadam ou esperam que a maré passe?

Beijos Queijos e Sorrisos: Daqui e de Acolá

30 de Dezembro de 2010

A pressa é grande de que passe ainda mais depressa este ano difícil e pesado.

No todo e na individual soma das suas partes, 2010 foi um ano de conquistas difíceis e árduas, de derrotas pesadas e desilusões impossíveis de ultrapassar, de alegrias incomparáveis e diluídas na carga pesada que transportei comigo durante os normais 12 meses que compõem o ano.

Inalteravelmente passou a galope, deixando atrás um rasto de pó barrento daquele que se cola à pela e à consciência da gente e se entranha e é mais que um surro badalhoco que nos pinta as orelhas.

Continuo a sorrir,mas tenho a certeza de que os outros, aqueles que quando olham para mim me veem, percebem este pó barrento acumulado e quando me procuram no meu olhar não me acham.

Também traz certezas este pó barrento e conhecedor da coisas da vida, e também nos dá alento e esperança de que possamos ser melhore fazer melhor, não errarmos tanto e tantas vezes. E traz a tranquilidade das certezas que nos deixa conhecer e a descoberta de novas incertezas que nos fazem querer continuar a descobrir.
No próximo ano quero aprender a viver melhor, quero ser mais feliz e mais sorridente, quero aproveitar mais, quero ter mais curiosidade e mais vontade, quero ir mais além sem medo ou receios de arriscar.

Em 2011 quero APROVEITAR, quero viajar e experimentar novas culturas e pessoas, quero ter mais tempo para a minha família e amigos, quero continuar acreditar que podemos ser todos melhores, basta que queiramos, e fazer por isso - mais que lamentar não o fazermos todos!
Quero ir mais e mais além, e quero fazê-lo com todos aqueles que conseguiram que este meu 2010 fosse um bocadinho menos mau, Obrigada. 



Até lá BEIJOS QUEIJOS E SORRISOS de quem deseja um novo e rejuvenescido ano;
Daqui e de Acolá

29 de Novembro de 2010

Mais uma vez!

Mais uma vez ....
É muito triste fazermos o luto de um vivo,mas hoje a minha tristeza é tão grande e tão profunda, que só o consigo sentir assim. 



28 de Setembro de 2010

Rentrée by Daqui e De Acolá


Percebo-me em análise, reflexão, avaliação retrospectiva e inquisidora, mas questiono o sentido de oportunidade deste balanço ou mesmo se disponho da energia e capacidade analítica e pragmática para o fazer neste momento. Não me pesam ou fragilizam as possíveis respostas, não as temo mais do que as procuro ou desejo, mas não as sinto agora como elementares ou profundamente necessárias.
Não é uma questão de arrogância ou descrédito, aliás, tenho sentido mais do que nunca a pequenez da assunção desse tipo de atitudes que, mesmo justificada por elementos minimizadores aceitáveis, são de facto e sem quaisquer desculpas, incompetentes e incapacitantes para quem os pratica, desprezíveis e repugnantes para quem os assiste ou experiencia.
São manifestamente atitudes que não quero para mim, em mim ou na minha vida.
Prende-se mais que tudo com diferentes etapas, com momento em que não queremos estar próximos de elementos regressivos, partilhando com eles, ( agentes que que não vos fazem crescer ou ver além do óbvio ou do que é mais fácil), fases tão importantes e alturas em que nos impomos uma fasquia mais elevada e em que precisamos de nos sentir desafiados sem medos de avaliações.
Sim, é verdade que acreditamos mais em nós, temos mais noção do nosso eu e da importância da relação dele com “o outro”, percebemos como podem ser enormes as conexões criadas a partir das relações desenvolvidas entre esta gente toda mas sentimos também a força do ego, de como pode representar um elemento de valorização ou desvalorização para o processo, percebendo e realizando efectivamente que muitas conexões de potência são vezes de mais amachucadas e eliminadas por um ego maior, menos treinado ou mais rebelde.
Mas se tudo isto é uma constatação do óbvio, e também da evidência de que esta percepção dos possíveis bloqueios é de certa forma incontornável pela falta de oportunidade ou da disponibilidade para a readaptação de uns e de outros, não será mais útil o estabelecimento de um plano e uma passagem efectiva à acção, do que mais uma revisão da matéria dada?
Ou será que a sebenta tem escrito mais à frente que nem sempre “parar é morrer”?
Seria simples se o parar fosse só um parar, e não tanto como é um “acorrentar das asas e do voar”, uma farda redutora que não é a minha e uma falta de aceitação da incompetência justificada em arrogância e na incapacidade de assumir o não saber.
Seria simples se a incapacidade não vestisse uma real e profunda mediocridade e pequenez, e fosse apenas um período breve e enriquecedor de crescimento que não se incompatibiliza com a capacidade alheia, não a desafia ou subestima, não a inveja mas também não a teme, e daí não resultasse, como resulta quase sempre ou vezes de mais, uma relação de profunda perda.
Será agora mais simples, perceber que da aparente falta de oportunidade de que falava inicialmente, resulta a constatação e estabelecimento de um plano; um projecto que planeia um futuro, (que espero próximo), onde não há lugar para a falta de compreensão de que em nós e nas relações que estabelecemos com os outros está a chave de uma coisa tão simples como sermos indivíduos que, não se contentando com o pouco que nos dá o nosso umbigo, percebemos a imensidão de mundos que podemos construir na relação despreconceituosa com os outros.
 
Beijos Queijos e Sorrisos
Daqui e de Acolá

13 de Maio de 2010

Mundos Com Pernas

Há alturas que se dissipam pela correria dos dias que passam, que nos deixa sem tempo para coisas simples mas vitais, como parar para pensar. Vamos vivendo, com mais ou menos entusiasmo, e assumindo factos e verdades que até já estavam em nós, mas numa dimensão ou perspectiva diferente daquela que agora se apresenta. De forma pragmática trata-se simplesmente de crescer ou viver, o que se na forma é comum a quase todos nós, no conteúdo difere em cada homem ou mulher de uma maneira que me leva, desde há algum tempo, a encarar-nos como pequenos “mundos” com pernas.




Literalmente, e na minha cabeça, a imagem é a de um globo azul com dois braços e duas pernas magrinhos com uns ténis calçados. É exactamente esta imagem que me ocorre quando me confronto com a verdade existente em cada um dos meus amigos, familiares ou das pessoas, com quem me cruzo diariamente por motivos pessoais ou profissionais.



Tenho pensado na importância para mim e para minha existência desta diversidade de “mundos”, constato com facilidade que são esses mundos que me facilitam a tarefa de conhecer e explorar o meu próprio mundo, de distinguir aquilo que sou e aquilo que é a minha projecção sobre o que serei para os outros, ou aquilo que os outros me dizem que sou e que reconheço ou não reconheço, mas me faz sempre questionar sobre a pessoa que vai existindo em mim.



É verdade que tenho chegado a algumas conclusões sobre o "EU", é igualmente verdade que tenho conhecido e reconhecido muito mais de mim do que em qualquer outro momento, e inevitavelmente estabeleço um termo de relação com esta nova etapa da vida em que, mesmo que não queiramos, somos adultos e carregamos todas as “responsabilidades e créditos” a este facto associados.



Adultos que supostamente sabem perfeitamente quem são e como são, do que gostam e não gostam, querem ou não querem, sendo muitas vezes aqui que se coloca a contradição maior, entre assumir ou não assumir, ser-se um “adulto”.

Começamos a pensar no 'tempo' e a atribuir-lhe prazos, começamos a ver envelhecer os nossos pais e a sentir-nos ficar castrados nos prazos da vida, revivemos histórias como os víamos fazer, e aproximamo-nos do passado e das nossas tradições e hábitos familiares de uma forma voluntária, mas fruto de uma vontade de certa forma inconsciente que se revela em cada dia mais presente.



Somos pais, ou vemos serem os nossos parceiros e companheiros da vida, a quem se convencionou chamar amigo mas que são muitas vezes mais do que isso, são uma família que escolhemos e nos acompanha, que não nos vê nascer mas vêem-nos tornarmo-nos "gente", e contribuindo em larga escala para isso.



Um dia acordamos, sozinhos ou acompanhados, numa casa nossa ou na dos nossos pais, e sentimos que crescemos e sabemos quem somos e no que nos tornámos, e percebemos o peso das nossas opções e a dimensão de alguns erros ou o sucesso de algumas apostas, e sentimos que temos momentos de grande alegria mas também outros de grande tristeza e nesse momento, nesse exacto e preciso momento, somos genuinamente humanos e genuinamente verdadeiros connosco mesmos, sem egos nem alter egos a ofuscarem-nos a consciência de nós, enganando-nos com aquilo que projectamos e não com o que somos na realidade.

E se presunçosamente pensarmos “Sou aquilo que queria ser”, mesmo depois de sentirmos, percebermos e admitirmos aquilo que de menos agradável existe em nós, pensamos bem, acho eu, sobretudo se tivermos pensado para nós sermos indivíduos bem resolvidos e bem formados.



Tenho hoje muitos mais defeitos do que tinha há alguns anos atrás, na prática terei provavelmente os mesmos mais coisa menos coisa, mas “convidei-os para a minha casa”, trouxe-os para mais perto de mim, e tenho vindo a aprender com eles. Fiz o mesmo com as qualidades e com os desejos e objectivos, reservei-lhes um lugar cativo naquilo que chamo o meu espaço de existência humana, uma coisa do género bolha actimel mas um pouco mais discreta.



Todos fazem balanços de tudo, de si, da vida, do tempo, da política, da economia e agora da crise, e eu, dada a contemplações e devaneios existenciais ou das ordens que antes referi, tenho acompanhado a tendência e matutado sobre tudo isto, e também sobre umas quantas outras coisas que nos fazem crescer.



Alegre ou triste, feliz ou menos feliz, tenho vivido em pleno, porque viver só por si é para mim a mais grandiosa das experiências, e nessa plenitude de viver recolho as peças que me constroem e fazem de mim aquilo que sou em cada dia, um mundo esticadinho com pernas e braços, feito de peças de vida e de experiências humanas.

Beijos Queijos e Sorrisos
Daqui e de Acolá